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sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

CHINELO VELHO


TALVEZ AGORA EU ACHE
O MEU CHINELO VELHO,
EMBORA EU AINDA QUEIRA
ANDAR DESCALÇO.

POIS ESSES PÉS,
QUE JÁ NEM SABEM ONDE VÃO,
E QUE JÁ TRILHARAM
TANTAS LÉGUAS NA ESCURIDÃO,

CONTENTAM-SE HOJE, CANSADOS,
EM APENAS ANDAR NA CONTRAMÃO,
EMBRENHANDO-SE POR RUAS E AVENIDAS,
DESAFIANDO BRISAS E NOITES...

E A ASSIM A VIDA ANDA,
ENQUANTO EU CHUTO LATAS PELA RUA
RESPIRO ESSE AR FRIO E,
DESDENHO OS VAGALUMES.

RESTA-ME APENAS
MEU PEQUENO APARTAMENTO,
O CONFORTO E O TORMENTO,
A SOLIDÃO E O JANTAR.

AI MEU DEUS QUE BOM SERIA,
SE NÃO SOBRASSE TANTA LOUÇA SOBRE A PIA!
E TAMPOUCO, TANTAS CONTAS SOBRE A MESA!
EU NÃO ME RENDERIA À TAMANHA TRISTEZA...

POIS É NESSAS HORAS,
QUE PENSO EM VOLTAR À SAPATARIA.
QUEM SABE O MEU CHINELO VELHO
NÃO FICA PRONTO UM DIA?

Alexandre Herzog